Flecha de Palavras

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Dilúvios de água me escorrem pela cara
Estou perdida
Sem rumo nem medida
A esperança morreu
E decidiu levar a minha alma

Queria limpar a minha mente
Sair desta dor intermitente
Encontrar uma saída
Onde a felicidade está escondida

As minhas roupas ainda têm o teu perfume
E ainda gosto de ti como de costume
Não te quero deixar ir
Mas estou farta de pedir

Fica, por favor, Fica
Esta dor arde, magoa e pica
Não leves isto a peito
A mágoa sufoca e está tudo desfeito

Meu querido Afonso
Porque não me salvas
E me tiras deste poço?
Fecho os olhos e ainda te ouço.

Estou farta de escrever sobre ti
Estou saturada de todos os tis
Quero-te mandar embora
Preciso de escolher o tempo e a hora.

Nada vale mais a pena
Nem escrever às dezenas ou centenas
Para mim tudo acabou
E de mim nada restou.





Desculpa

Tenho vivido estes últimos meses com esperança.
Esperança de mudança.
À espera de algo ou de alguém.
Todos os dias abria as cortinas do quarto
Mas era o mesmo que abrir um livro sempre na mesma página.
Hoje mudei de página.
Apercebi-me que a esperança existe
Mas não em nós.
Levo-te no coração longe de tudo e todos
Perto de mim
Não te guardo rancor.

O amanhecer tornar-se difícil
O fim do dia é o mais esperado
Não quero viver assim!
Quero voltar a ser como era
Feliz com os meus objectivos
Com os meus sonhos, que muitas vezes concretizados precisam de desaparecer.
Tudo me atormenta
Tudo parece desperdiçado
A vida deixou-me sem ela e sem ti
É repugnante pensar que me deixei afundar
Que toda a tristeza tomou conta de mim

E agora o meu amor é um pássaro
Aparece no parapeito da janela e voa
Estrangulei o destino
É pena, porque ele não é o culpado
Tentei forçar a tua estadia e errei,
Por tudo peço desculpa.
O teu olhar insano e a minha capacidade de sacrifício
Não combinaram e eu sabia disso
Tenho medo mas sem medo não há vida
Por isso talvez continue assustada nesta caminhada tão solitária
Lembrarei-me de ti.
A tua perna, a minha perna, o teu sorriso, o meu sorriso e o aconchego de ti que me fez sentir bem por meros momentos.
Tudo acabou sem ter tido um começo
Eu hei-de ficar bem
E quanto a ti, irei pedir sempre ao céu para te proteger.
Desculpa.

Perspectivas

Contemplo-te com esse ar sério de julgador.
Contemplo todos esses teus jeitos e maneiras.
Lembro-me de o tempo parar enquanto olhava para ti.
Enquanto lá estavas tu, a olhar para o nada e eu a olhar para tudo.
Tudo aquilo que tu és e guardas.
Hipnotizada me sentia, pela tua energia ou pela tua timidez.
Queria poder voltar a olhar assim para ti e parar o relógio por uma última vez.
Mas sei que esse dia nunca chegará e tu continuarás no meu pensamento.
Não consigo dar um descanso à minha cabeça porque estou constantemente a relembrar-te.
O que é suposto um coração fazer?
Não te consigo arrancar daqui.
Prefiro deixar-te cá durante mais algum tempo.
Até achar que te posso largar, mas não quero.

Destino falhado

Não entendo. E será que vale a pena entender?
Às vezes desejava que o mundo fosse só meu e teu, e nos desse a chance de nos conhecermos.
É quase como se sentisse que a minha alma gémea está alojada no impossível.
Faria de tudo para que os impossíveis se tornassem possíveis, mas não quero contrariar o destino.
Destino este que parece que nunca está do meu lado.
Tenho esperado e nada tem acontecido. Que faço eu? Estou só, apenas com a minha consciência tão barulhenta e o meu corpo.
A dor começa a tornar-se cada vez mais habitual e eu não sei o que fazer.
Mas os sonhos mais difíceis são os mais apetecíveis. Como se tu fosses um sonho impossível que eu não consigo tirar da cabeça.
Enfim, sou um corpo cheio de medo e inseguranças.
Quem me dera que fosse tudo tão diferente.
Quem me dera poder ver a vida com outros olhos.

Talvez um dia tudo mude, e até lá, espero.

Estou presa no sentimento. Encurralada no próprio pensamento
Tu. Apenas tu
Penso no que poderia ter sido e no que não foi
Tem dias onde penso mais em ti
Aquelas viagens de comboio
ou aqueles passeios de carro
Olho para o vidro e lá estás tu
Custa-me saber que nunca vai ser nada.
Que vou envelhecer
e lembrar-te como um "se"
Se tivesse sido
E se nos voltamos a cruzar
Não há dia
manhã ou noite
em que não deseje voltar a ver-te
Como uma miragem apareces
mas não és real
Afinal não passas de um "se."
E se ele aparece
Ando pelas ruas concentrada
Apareces de novo
Sinto uma sensação de dejá vu
Mas não és tu
Nunca mais te vi
Penso se estás feliz
Penso se pensas em mim.
Eu penso muito em ti e
no que seria se estivesses aqui
A tua presença tornaria tudo tão real
Só te queria como uma certeza
E se a vida não te esquece?
E se continuares por cá, que faço eu?
Por inúmeros caminhos vou
e levo a lembrança desses olhos sempre comigo
Porque afinal, esses tons de mar
nunca me vão abandonar
Remar contra a maré só irá funcionar
se tu parares pelo caminho


E se nos encontrarmos?
Ficas ou segues à deriva?

Saias da Mãe

Independência: palavra que descreve uma pessoa livre. 

     Mas a partir de que momento é que alguém se considera independente? Quando saímos das saias da mãe; quando saímos de casa ou quando arranjamos um empregozito que nos sustenta.
    Sei de uma coisa: eu sou livre! Livre e estou solta das saias. Sempre me achei dona de mim própria, e então agora que vivo numa cidade à distância de um oceano... Mas sinto falta da mãe. Sinto falta das saias da mãe. Mas cresci e uso as calças. É verdade que me sinto sozinha e isso faz-me crescer mais rapidamente. Mesmo assim sinto-me bem; sinto que sou capaz de inúmeros feitos, sinto que sou capaz de me aguentar sem colapsar. Caso colapse, oh bem... Voltarei para as saias e renascerei de novo. As saias são a cura para qualquer alma desmembrada. Quero a mãe, tenho falta da mãe, mas a filha está bem, a filha está livre. 

Olhos Azuis

      Confundes-me e fazes desta cabeça confusa um misto de confusões. 
     Os teus olhos azuis refletem-se nos meus olhos verdes, e acredita que esta fusão de cores torna a minha visão mais bela sempre que te vejo. Tanto me sinto feliz, como me sinto revoltada por não ser desejada. 
     Os teus olhos azuis refletem-se na minha tristeza, pois só queria que eles desejassem os meus olhos verdes. Porque é que não me queres? Porque é que me deixaste do nada? Largaste-me sem ver a altura da queda... E fiquei sozinha lá no fundo. Podes voltar a desejar-me? Por favor, os meus olhos verdes só te pedem isso. 

Fecho-os à tua espera...